# 10 Lei da Inveja- 10/18 Robert Greene

 



# 10 Lei da Inveja – Vigie um Ego frágil

 

Os seres humanos são naturalmente compelidos a compararem-se uns com os outros. Estamos sempre a medir o estatuto das pessoas, os níveis de respeito e de atenção que elas recebem e a detetar quaisquer diferenças entre o que temos e o que eles têm. Para algumas pessoas, esta necessidade de comparação serve como estímulo para nos destacarmos através do trabalho. Para outras, pode transformar-se numa inveja profunda — sentimentos de inferioridade e frustração que levam a ataques e a uma sabotagem dissimulada. Ninguém admite agir por inveja. Temos de reconhecer os primeiros sinais de aviso — elogios e pedidos de amizade que parecem efusivos e desproporcionados; cotoveladas subtis disfarçadas de humor genuíno; aparente mal-estar com o sucesso do outro. E mais provável surgir entre amigos ou pares da mesma profissão. Aprenda a defletir a inveja desviando a atenção da sua pessoa. Desenvolva a sua autoestima a partir de padrões interiores e não de comparações incessantes.

 

Caso Jane Williams – Mary Shelley e dinâmica dos casais

Vamos observar as muitas transformações que a inveja causa na mente, podemos ver claramente no exemplo de Jane Williams. Quando Jane conheceu Mary, alimentava sentimentos contraditórios. Por um lado, havia muito a apreciar e admirar em Mary. Tinha modos agradáveis, era claramente brilhantes e sentia-se profundamente ligada ao filho. Podia ser bastante generosa. Por outro lado, fazia Jane sentir-se profundamente inferior; Jane não possuía muitas das coisas que Mary tinha, mas que achava merecer - atenção em virtude dos seus próprios talentos, da sua prontidão em sacrificar-se por amor, da sua natureza encantadora. Inevitavelmente, a par da atração por Mary veio a inveja - o desejo de ter as mesmas coisas que Mary, a sensação de merecer tê-las, mas a incapacidade aparente de as obter de forma fácil ou legítima. Com a inveja surge o desejo secreto de magoar, atingir ou roubar a pessoa invejosa, de repor a injustiça que resulta da sua suposta superioridade.

Havia muitos motivos para Jane esconder e até recalcar a inveja que se agitava dentro de si. Em primeiro lugar, é socialmente tóxico expressar inveja. Revela uma insegurança profunda, bem como hostilidade, uma combinação muito negativa que certamente afasta as pessoas. Em segundo, ela e o marido dependiam dos Shelley no que dizia respeito à sua sobrevivência futura, visto que Jane estava decidida a conseguir que Edward se ligasse a Shelley como amigo, assistente e especialista em navegação. Shelley era extraordinariamente generoso com dinheiro. Agir de uma forma hostil em relação a Mary teria posto tudo em risco. Finalmente, a inveja é uma emoção dolorosa, um reconhecimento da própria inferioridade, algo bastante insuportável para nós, seres humanos. Não é uma emoção em que desejemos ficar a matutar. Gostamos de a esconder de nós próprios e não estar conscientes do que motiva as nossas ações.

Tendo em conta tudo isto, Jane deu o passo que naturalmente se seguia: tornou-se amiga de Mary, retribuindo-lhe os seus gestos de amizade. Uma parte de si gostava daquela mulher e sentia-se lisonjeada pela atenção que alguém tão famoso lhe concedia. Jane estava ávida de atenção. Como podia pensar que invejava Mary se decidira tornar-se sua amiga? Mas, quanto mais tempo passava com Mary, mais evidente se tornava o desequilíbrio entre ambas. Era Mary quem tinha o marido famoso e bem-parecido, a possível herança choruda, a amizade profunda de lorde Byron e a imaginação fértil que a tornara tão talentosa. Por isso, quanto mais tempo passava com Mary, mais forte se tornavam os seus sentimentos de inveja.

Esconder esta inveja de si mesma e dos outros exigia agora o passo lógico seguinte: era preciso transformar mentalmente Mary numa figura pouco apelativa. Mary não tinha assim tanto talento; tivera apenas sorte; se não tivesse sido pelos seus progenitores famosos e pelos homens que a rodavam, nunca teria chegado à sua posição de destaque; não merecia a sua fama; era uma pessoa irritante, temperamental, depressiva, dependente, pouco divertida; não era simpática ou carinhosa para o marido e não era grande coisa como mulher. Enquanto Jane passava por este processo, a hostilidade começou a sobrepor-se aos sentimentos de amizade. Sentia-se mais do que justificada a seduzir ativamente Percy Shelley e a esconder os seus verdadeiros sentimentos de Mary. Mais devastador para a relação conjugal de Mary, sempre que o marido se queixava a Jane de Mary, seria o facto de Jane reforçar estes protestos com uma nova história ou observação, aprofundando o fosso entre os dois.

Claro que, ao transformar Mary em alguém tão desagradável, Jane tinha de ignorar voluntariamente o contexto - a perda recente de dois filhos amados para a doença, a própria frieza de Shelley para com a mulher e a sua procura de outras mulheres. Mas para que os que invejam se sintam autorizados a realizar ações prejudiciais, têm de criar uma narrativa: tudo o que a outra pessoa faz revela algum traço negativo; não merecem a sua posição superior. Agora Jane tinha o que desejara — a atenção extremosa de Percy Shelley, bem como a alienação total da sua esposa. Quando Shelley morreu, Jane podia dar rédea solta à inveja, espalhando rumores maliciosos de que Mary não parecia especialmente triste com a perda algo tão perturbador para aqueles que os ouviam, incluindo Leigh Hunt, que os mesmos se afastavam de Mary.

Quando Jane regressou a Londres e Mary foi ter com ela, o padrão repetiu-se. Uma parte de Jane continuava a sentir-se atraída por Mary; com os anos, haviam partilhado muita coisa. Contudo, quanto mais tempo ela passava com ela mais era obrigada a ver a fama crescente de Mary, o seu círculo de amigos ilustres, a sua natureza generosa para com outras mulheres que haviam sido maltratadas, a sua dedicação total ao filho e à memória do marido. Nada disto batia certo com a narrativa, e por isso Jane teve de dar outro passo mentalmente: «A Mary é falsa, continua a viver do legado do marido e dos outros, motivada pelas suas necessidades, não pela sua generosidade. Se as outras pessoas pudessem ver isto. Por isso roubou Hogg, o amigo de Mary, uma imitação mais fraca do pecado original de lhe roubar o marido. E continuou a espalhar histórias sobre Mary, mas desta vez com o pormenor maldoso de que Jane era o grande amor da vida de Shelley, de que ele nunca amara a mulher e de que Mary o levara ao suicídio. Contar histórias tão sórdidas como estas em Londres faria os maiores danos na reputação de Mary.

É difícil imaginar a dor que infligiu a Mary ao longo dos anos as discussões com o marido de Mary exacerbadas por Jane, a frieza misteriosa e súbita dos melhores amigos de Mary, as oscilações que Jane imprimia na sua relação com Mary, recuando sempre que esta se queria aproximar, e, finalmente, a revelação da derradeira traição e o pensamento, que atormentaria Mary durante anos, de que muitos haviam acreditado na história de Jane. Pode ser esta a dor silenciosa causada por um grande invejoso.

Compreender: A inveja ocorre de forma mais habitual e dolorosa entre amigos. Presumimos que algo num relacionamento fez que o nosso amigo se voltasse contra nós. Por vezes tudo o que sentimos é a traição, a sabotagem, as críticas indelicadas que eles nos lançam à cara e nunca compreendemos a inveja subjacente que inspirou estas ações.

Aquilo que é preciso compreender é algo paradoxal: as pessoas que sentem inveja muitas vezes, à partida, estão motivadas para se tornarem nossas amigas. Como Jane, sentem um misto de interesse genuíno, atração e inveja, se tivermos qualidades que as façam sentirem-se inferiores. Ao tornarem-se nossas amigas, podem disfarçar a inveja de si mesmas. Muitas vezes ainda vão mais longe, tornando-se mais atentas e impacientes de modo a assegurar a nossa amizade. Mas, à medida que se aproximam, o problema piora. A inveja subjacente é constantemente estimulada. Os próprios traços que podem ter instilado sentimentos de inferioridade — a posição confortável, a ética profissional sólida, a facilidade de se gostar dessa pessoa — observam-se agora diariamente.

E por isso, tal como com Jane, constrói-se gradualmente uma narrativa: a pessoa invejada teve sorte, é demasiado ambiciosa, não é assim tão boa. Como nossos amigos, os invejosos podem descobrir os nossos pontos fracos e o que mais nos magoa. Numa amizade, estão mais bem posicionados para nos sabotarem, para nos roubarem o cônjuge, para espalharem o caos. Quando nos atacam, tendemos a sentir-nos culpados e confusos: <<Talvez mereça algumas das suas críticas.>> Se respondermos de forma irada, isso não faz mais do que alimentar a narrativa da nossa natureza desagradável. Como éramos amigos, sentimo-nos duplamente magoados e traídos, e, quanto maior é a ferida, maior é a satisfação para o invejoso. Podemos até especular que o invejoso é inconscientemente atraído para uma amizade com a pessoa invejada para poder ter esta capacidade de magoar.

Embora estes amigos fatais sejam esquivos e manhosos, há sempre sinais de aviso. Aprenda a prestar mais atenção às suas primeiras impressões. (Se Mary o tivesse feito...) Muitas vezes intuímos que a outra pessoa é falsa, mas depois esquecemo-lo, quando nos tornamos amigos dela. Sentimo-nos sempre melhor com pessoas que parecem gostar de nós, e os invejosos sabem-no bem. Confie nas Opiniões de amigos e de terceiros imparciais. Muitos amigos de Mary achavam Jane intriguista e até um pouco assustadora. A inveja do amigo também tenderá a transparecer em olhares súbitos e comentários depreciativos. Os invejosos darão conselhos intrigantes algo que parece contra os nossos interesses, mas bem-pensado da sua parte. Querem que cometamos erros e muitas vezes tentarão arranjar uma forma de nos levar a cometê-los. Qualquer sucesso ou acréscimo de atenção que venhamos a conhecer levará a que deixem transparecer mais os seus verdadeiros sentimentos.

Não se trata de ficar paranoico, mas de simplesmente estar atento quando captar alguns sinais de possível inveja. Aprenda a identificar indivíduos especialmente atreitos a sentir inveja antes de se deixar enredar demasiado nas emoções. E difícil avaliar o que irá ganhar ao evitar um ataque de inveja, mas pense nisso desta forma: a dor infligida por um amigo invejoso pode ecoar e envenenar por muitos anos.

Sempre que um amigo é bem-sucedido, morro um pouco.

      —Gore Vidal

 

 

Explicações para a natureza humana

 

De todas as emoções humanas, nenhuma é mais manhosa e esquiva do que a inveja. É muito difícil discernir a inveja que motiva as ações das pessoas ou até saber que estas sofreram um ataque de inveja por parte de outra. E o que torna tão frustrante e também tão perigoso lidar com este sentimento.

O motivo desta dificuldade de apreensão é simples: quase nunca expressamos diretamente a inveja que estamos a sentir. Sentimo-nos zangados com as pessoas por causa de algo que elas disseram ou fizeram, podemos tentar disfarçar a nossa raiva por vários motivos, mas temos consciência de que nos estamos a sentir hostis. A raiva acaba por transparecer num comportamento não verbal. Se agirmos em função dessa raiva, o alvo irá senti-la por aquilo que é e muitas vezes saber o que originou esse acesso de irritação nesse momento. Mas a inveja é muito diferente.

Todos sentimos inveja, a sensação de que outros têm mais daquilo que nós próprios desejamos bens, atenção, respeito. Merecemos ter tanto como eles, mas sentimo-nos de alguma forma impotentes para obter essas coisas. Contudo, como se referiu, a inveja implica reconhecer para nós próprios que somos inferiores a outras pessoas em algo que apreciamos. Não só é difícil reconhecer esta inferioridade como é ainda pior os outros verem que nutrimos este sentimento.

E por isso, mal sentimos as pontadas iniciais da inveja, sentimo-nos motivados para a disfarçar de nós mesmos - não é inveja o que sentimos, mas injustiça na distribuição de bens ou de atenção, revolta devido a esta injustiça e até raiva. Além disso, a outra pessoa não é verdadeiramente superior, simplesmente teve sorte, é demasiado ambiciosa ou não tem escrúpulos. Foi assim que chegou onde se encontra. Depois de nos termos convencido de que a inveja não é aquilo que nos motiva, mas outra coisa, também se torna muito difícil para os outros detetar essa inveja subjacente. Estes veem apenas a nossa raiva, indignação, críticas hostis, elogios venenosos, e por aí fora.

As pessoas são muito mais politicamente corretas e indiretas, capazes de controlar impulsos claramente agressivos e de disfarçar o que estão a sentir. Em vez da violência, é mais provável que os invejosos sabotem o nosso trabalho, destruam um relacionamento, nos manchem a reputação e nos atormentem com críticas dirigidas às nossas inseguranças mais básicas. Isto permite-lhes manter a sua posição social, ao mesmo tempo que exercem uma ação prejudicial, sem que os seus alvos cheguem sequer a desconfiar da inveja como sendo a sua motivação. Podem justificar estas ações para si próprios como uma forma de reparar um desequilíbrio ou uma injustiça detetados.

Se alguém estiver zangado connosco e agir em conformidade com esse sentimento, podemos analisar a raiva que esta pessoa está a sentir e pensar numa forma de a desativar ou de nos defendermos. Mas, se não conseguirmos divisar inveja subjacente, seremos inevitavelmente confundidos pela ação hostil do invejoso, e esta confusão duplica a dor que sentimos. «Porque são as pessoas subitamente tão frias comigo?» «Porque motivo aquele projeto falhou de forma tão inesperada?» «Porque terei sido despedido?» «Porque estará esta pessoa contra mim?»

A sua missão como estudioso da natureza humana é tornar-se especialista a descodificar a inveja. Seja impiedoso na sua análise e na sua determinação de chegar à origem do que motiva as pessoas. Os sinais de inveja que as pessoas emitem são mais difíceis de discernir, mas existem, e pode dominar essa linguagem com algum empenho e com uma perspicácia subtil. Pense nisso como um desafio intelectual. Se for capaz de descodificar esses sinais, não se sentirá tão confuso. Compreenderá retrospetivamente que sofreu um ataque de inveja, o que o ajudará a Ultrapassá-lo. Poderá antecipar os sinais de aviso de tal ataque e desativá-lo ou defleti-lo. E, sabendo do sofrimento oculto que decorre de um ataque de inveja bem desferido, poupar-se-á a danos emocionais que podem durar anos. Isto não o tornará paranoico, apenas mais capaz de distinguir os amigos (ou colegas) falsos e fatais dos verdadeiros, aqueles em quem pode realmente confiar.

Antes de mergulhar nas subtilezas da emoção, é importante distinguir entre inveja passiva e ativa. Todos nós, ao longo do dia, sentiremos inevitavelmente uma ponta de inveja, enquanto controlamos inconscientemente as pessoas que nos rodeiam e sentimos que poderíamos ter mais. É um facto da vida social haver sempre pessoas que nos excedem em riqueza, inteligência, amabilidade e outras qualidades. Se estas pontadas subirem até ao nível consciente e forem acentuadas podemos dizer algo ofensivo ou mal-intencionado como forma de dar voz à emoção. Mas, de modo geral, quando experimentamos esta forma de inveja passiva, não fazemos nada que possa prejudicar de modo significativo o relacionamento com um amigo ou colega. Ao detetar sinais de inveja passiva nos outros (por exemplo, pequenas reprimendas ou comentários ríspidos), deveria tolerá-lo simplesmente como resultado do facto de ser um animal social.

No entanto, por vezes, esta inveja passiva torna-se ativa. A impressão subjacente de inferioridade é demasiado forte, levando a uma hostilidade que não pode ser libertada através de um comentário ou reprimenda. Viver com a inveja durante um longo período de tempo pode ser doloroso e frustrante. Sentir uma indignação justificada contra a pessoa invejada pode, contudo, ser revigorante. Agir motivado pela inveja, fazer algo para prejudicar a outra pessoa, traz satisfação, tal como aconteceu com Jane, embora a satisfação dure pouco porque os invejosos arranjam sempre outra coisa para invejar.

O seu objetivo será detetar os sinais desta forma mais aguda de inveja antes que se torne perigosa. Pode fazê-lo de três maneiras: interpretando os sinais de inveja que conseguem escapar, tendo consciência dos tipos de pessoas mais propensos a agir motivados pela inveja e compreendendo as circunstâncias e ações que podem desencadear a inveja ativa nas pessoas. Nunca irá identificar todas as ações motivadas pela inveja; as pessoas são simplesmente muito boas a disfarçá-los. Mas usar os três instrumentos de descodificação aumentará as hipóteses de os detetar.


Sinais de inveja

Embora os sinais sejam subtis, os sentimentos de inveja tendem a escapar-se e podem ser detetados se for bom observador. Captar um sinal isolado desta natureza pode apontar para uma inveja do tipo passivo ou fraco. Aquilo que pretende é procurar combinações ou repetições dos sinais que se seguem, um padrão, antes de entrar em modo de alerta.

Microexpressões: Quando as pessoas sentem inveja pela primeira vez, ainda não se enganaram a si mesmas forçando-se a pensar que se trata de outra coisa, e por isso é mais provável que deixem transparecer esse sentimento logo do que mais tarde. E por isso que as primeiras impressões são com frequência as mais certeiras e deveriam ser valorizadas, neste caso. A inveja está mais associada aos olhos. A origem latina da palavra para inveja, invidia, significa «olhar através de, sondar com os olhos como um punhal». O significado inicial da palavra foi associado ao «mau-olhado» e à crença de que um olhar podia efetivamente transmitir uma maldição e prejudicar fisicamente alguém.

Os olhos são de facto um indicador sugestivo, mas a microexpressão do invejoso afeta todo o rosto. Observará os olhos do invejoso como parecendo momentaneamente entediados, com uma expressão a sugerir desprezo e uma ponta de hostilidade. E o olhar de uma criança que se sente enganada. Com este olhar, os cantos da boca muitas vezes voltam-se para baixo, o nariz assume uma expressão trocista, numa posição ligeiramente ereta, com o queixo projetado. Embora o olhar seja em parte excessivamente direto e se mantenha com uma demora ligeira e exagerada, não durará mais de um ou dois segundos. Normalmente é seguido de um sorriso tenso e forçado. Muitas vezes irá detetar este olhar por acaso, quando vira a cabeça subitamente na sua direção, ou sentirá os olhos a queimarem-no sem os fitar diretamente.

O filósofo alemão Arthur Schopenhauer concebeu uma maneira rápida de provocar estes olhares e de testar a inveja: transmitir a alegados invejosos uma informação positiva a seu respeito uma promoção, um amor novo e excitante, o contrato para um livro. Captará uma expressão muito rápida de deceção. O seu tom de voz ao felicitarem-no denunciará alguma tensão e esforço. Pode igualmente contar-lhes um infortúnio da sua vida e reparar na incontrolável microexpressão de alegria em reação à sua dor, algo que é habitualmente conhecido por schadenfreude. Os seus olhos iluminam-se por uma fração de segundo. As pessoas invejosas não conseguem evitar sentir alguma felicidade quando ouvem más notícias referentes àqueles que invejam.

Elogios venenosos: Um ataque de inveja consideráve14 muitas vezes precedido de pequenos acessos de inveja — comentários ríspidos cuidadosamente concebidos para o atingirem. Um elogio confuso e paradoxal é uma forma comum de o fazer. Imagine que chegou ao fim de um projeto um livro, um filme, uma iniciativa criativa - e que a resposta inicial do público foi bastante positiva. Os invejosos emitirão um comentário em que o louvarão pelo dinheiro que irá ganhar, sugerindo dessa forma que o fez por dinheiro, que se vendeu. Sentir-se-á confuso - elogiaram-no, mas de uma forma que o deixa pouco à vontade. Estes comentários também surgirão em momentos escolhidos para lhe causar o máximo possível de dúvidas e de danos, por exemplo, mal recebeu a boa notícia e sente acesso de alegria.

Do mesmo modo, ao repararem no seu sucesso, podem evocar as partes menos simpáticas do seu público, o tipo de fãs ou de consumidores que não combinam bem consigo. «Bem, tenho a certeza de que os executivos de Wall Street vão adorar isto.» Tratar-se-á de algo lançado no meio de outros comentários normais, mas a culpa por associação irá persistir. Ou irão elogiar algo depois de o ter perdido um emprego, uma casa num bairro agradável, um cônjuge que o deixou. «Era uma casa tão bonita. Que pena.» Tudo é dito de uma forma que parece compassiva, mas que tem um efeito perturbador. Os elogios venenosos indiciam quase sempre inveja. As pessoas sentem a necessidade de elogiar, mas o que predomina é a hostilidade subjacente. Se tiverem o hábito de elogiar desta forma, e se o verificar várias vezes, trata-se provavelmente de um indicador de que algo mais intenso fervilha dentro delas.

Maledicência: Se as pessoas gostarem muito de mexericos, especialmente sobre conhecidos comuns, pode ter a certeza de que também irão falar nas suas costas. E os mexericos são uma forma frequente de disfarçar a inveja, uma forma conveniente de lhe dar voz partilhando boatos e histórias malévolas. Quando falam sobre os outros nas suas costas, verá os seus olhos iluminarem-se e a voz tornar-se animada — é algo que lhes dá uma alegria comparável à schadenfreude. Provocam todo o tipo de relatos negativos sobre conhecimentos comuns. Um tema frequente nestas conversas é que ninguém é assim tão bom, e as pessoas não são o que fingem ser.

Se souber de alguma história negativa que tenham espalhado sobre si, subtilmente ou não, uma única ocorrência deveria ser suficiente para o deixar de sobreaviso. O que anuncia inveja ativa neste caso é o facto de serem seus amigos e sentirem a necessidade de dar voz a uma hostilidade latente perante um terceiro, em vez de a guardarem apenas para si. Se verificar que amigos e colegas se tornam subitamente mais frios para consigo sem qualquer motivo aparente, esses mexericos podem estar na origem e vale a pena investigar. Seja qual for a circunstância, as pessoas que revelam ser más-línguas não servem como amigos leais e de confiança.

As oscilações: Como vimos na história de Jane Williams, os invejosos usam muitas vezes a amizade e a intimidade como a melhor forma de magoar as pessoas que invejam. Apresentam um desejo intenso e invulgar de se tornarem seus amigos. Sobrecarregam-no de atenção. Se sofrer de algumas inseguranças, isto terá um efeito excelente. Elogiam-no de forma excessivamente efusiva de início. Através da proximidade, tornam-se capazes de reunir informações sobre si e de descobrir os seus pontos fracos. Subitamente, depois de as suas emoções estarem comprometidas, criticam-no de forma contundente. As críticas são confusas, não especialmente relacionadas com algo que tenha feito, mas, mesmo assim, sente-se culpado. Regressam então à sua afetuosidade inicial. O padrão repete-se. Fica encurralado entre uma amizade calorosa e o sofrimento que infligem ocasionalmente.

Ao criticarem-no, são mestres a detetar possíveis defeitos de caráter ou palavras que possa ter lamentado e em conceder-lhes grande ênfase. São como advogados a reunir elementos para o poderem atacar. Quando estiver farto e decidir defender-se, criticá-los ou pôr fim à amizade, podem atribuir-lhe uma natureza perversa ou mesmo cruel e dizê-lo aos outros. Irá notar que no seu passado houve outros relacionamentos com separações dramáticas, sempre por culpa da outra pessoa. E, na origem deste padrão, algo difícil de discernir, está o facto de decidirem ser amigas de pessoas em quem invejam alguma qualidade e depois, subtilmente, torturam-na.

De modo geral, uma crítica à sua pessoa que pareça sincera, mas não diretamente relacionada com algo que tenha efetivamente feito é normalmente um sinal forte de inveja. As pessoas desejam intimidá-lo e atormentá-lo com algo negativo, magoando-o e escondendo quaisquer sinais de inveja em simultâneo.

Tipos de invejoso

De acordo com a psicanalista Melanie Klein (1882—1960), algumas pessoas tendem a sentir inveja a vida inteira, e isto começa desde tenra idade. Nas primeiras semanas e meses de vida, a mãe e o filho quase nunca se afastam um do outro. Mas, à medida que crescem, as crianças têm de aprender a lidar com a ausência da mãe por longos períodos de tempo, e isto implica uma adaptação dolorosa. No entanto, algumas crianças são mais sensíveis ao afastamento ocasional da mãe. Anseiam por mais alimento e atenção. Tornam-se conscientes da presença do pai, com quem têm de competir pela atenção da mãe. Também se podem tornar conscientes de outros irmãos, que são encarados como rivais. Klein, que se especializou no estudo dos primeiros anos de vida e da primeira infância, reparou que algumas crianças sentem maiores níveis de hostilidade e de ressentimento face ao pai e aos irmãos pela atenção que estão a receber no seu lugar (do invejoso) e em relação à mãe, por não lha dar em quantidade suficiente.

Existem certamente pais que criam ou intensificam essa inveja tornando-se difíceis, afastando-se de propósito para tornar a criança mais dependente. Em qualquer circunstância, as crianças que conhecem esse tipo de inveja não se sentem gratas e amadas pela atenção que obtêm, mas constantemente privadas da mesma e insatisfeitas. Define-se um padrão para toda a vida são crianças e mais tarde adultos para quem nada alguma vez é suficientemente bom. Todas as experiências potencialmente positivas são estragadas pela sensação de que deveriam ter mais e melhor. Falta algo, e só conseguem imaginar que outras pessoas as estão a impedir de obter o que deveriam possuir. Desenvolvem um sentido extremamente apurado para o que os outros têm que elas não possuem. Esta torna-se a sua paixão dominante.

A maior parte das pessoas vive momentos na infância em que sente que outra pessoa está a receber mais atenção do que merece, mas consegue contrabalançar este aspeto com outros momentos em que sente um amor inegável e uma imensa gratidão pelo mesmo. A medida que envelhecemos, podemos transferir essas emoções positivas para uma série de pessoas - irmãos, professores, mentores, amigos, amantes e esposas. Alternamos entre desejar mais e sentirmo-nos relativamente satisfeitos e gratos. Os mais propensos à inveja, contudo, não vivem a vida da mesma maneira. Em vez disso, transferem essa inveja e hostilidade iniciais para uma série de outras pessoas que consideram que as dececionaram ou magoaram. Os seus momentos de satisfação e gratidão são raros ou inexistentes. «Preciso de mais, quero mais», dizem sempre para si mesmos.

Como a inveja é uma sensação dolorosa, estes tipos aplicam estratégias durante toda a vida para mitigar e reprimir estes sentimentos que os atormentam. Irão denegrir qualquer coisa ou qualquer pessoa boa no mundo. Isso significa que na realidade não há pessoas no mundo que mereçam ser invejadas. Também podem tornar-se extremamente independentes. Se não precisam das pessoas para nada, isso irá expô-los a menos cenários de inveja. No ponto extremo, irão desvalorizar-se. Não merecem coisas boas na vida e por isso não precisam de competir com os outros por atenção e estatuto. De acordo com Klein, estas estratégias são frágeis e irão esboroar-se e quebrar-se quando sujeitas a stresse — uma reviravolta na carreira, surtos de depressão, feridas no ego. A inveja que sentem nos primeiros anos de vida continua sempre latente e pronta a ser dirigida para os outros. Andam literalmente à procura de pessoas que possam invejar de modo a reviverem a emoção primordial.

Dependendo da sua constituição psicológica, tenderão a enquadrar-se em certos tipos de invejosos. Será muito útil conseguir reconhecer estes tipos rapidamente' porque são aqueles que mais provavelmente se tornarão ativos com a sua inveja• As cinco variedades que se seguem são as mais comuns entre os invejosos, correspondendo ao modo como estes tendem a disfarçar-se e às suas formas específicas de ataque.

O Nivelador: Quando os conhece pela primeira vez, os niveladores podem ser bastante divertidos e interessantes. Tendem a ter um sentido de humor sarcástico. São bons a rebaixar os poderosos e a humilhar os arrogantes. Também têm faro para as injustiças e deslealdades deste mundo. Mas diferem das pessoas que apresentam verdadeira empatia pelos desvalidos pelo facto de não conseguirem reconhecer ou apreciar a excelência em quase ninguém, exceto nos mortos. Têm egos frágeis. As pessoas que alcançaram coisas na vida fazem-nos sentir inseguros. São altamente sensíveis a sentimentos de inferioridade. A inveja que sentem inicialmente por aqueles que são bem-sucedidos é rapidamente disfarçada de indignação. Protestam contra quem se sai bem na vida por manipularem o sistema, por serem demasiado ambiciosos ou pura e simplesmente por terem tido sorte e não merecerem realmente qualquer louvor. Acabaram por associar a excelência à injustiça, como forma de aliviar as suas inseguranças.

Irá reparar que, embora possam rebaixar os outros, não aceitam facilmente piadas a seu respeito. Exaltam com frequência a incultura e o que não presta, porque o trabalho medíocre não abala as suas inseguranças. Além do seu humor cínico, pode reconhecer este tipo pelo modo como fala da sua própria vida: gosta de contar histórias acerca das muitas injustiças que lhe foram infligidas, mas está sempre isento de culpa. Estes tipos dão excelentes críticos profissionais podem recorrer a este meio para destruir quem invejam secretamente e ser recompensados por isso.

O seu principal objetivo é trazer toda a gente para o mesmo nível medíocre que eles próprios ocupam. Isto por vezes significa nivelar não apenas os bem-sucedidos e os poderosos, mas também os que se estão a divertir demasiado, os que parecem estar a demasiado satisfeitos ou os que têm um sentido de propósito exagerado, do qual os niveladores carecem. Tenha cuidado quando estiver perto destes indivíduos, especialmente no seu local de trabalho, porque o irão fazer sentir-se culpado pelo seu desejo de excelência. Começarão com comentários passivo-agressivos que o marcarão com o rótulo negativo de «ambicioso». Passará a fazer parte da classe opressora. Irão criticá-lo de formas desagradáveis e ofensivas. E poderão acompanhar este processo de uma sabotagem ativa do seu trabalho, o que justificam para si mesmos como forma de justiça retributiva.

O Mandrião Auto-Habilitado: No mundo de hoje, muitas pessoas sentem-se no direito de ter sucesso e coisas boas na vida, mas normalmente compreendem que isto exige sacrifício e trabalho árduo. Algumas pessoas, contudo, sentem que merecem atenção e muitas recompensas como se estas lhes fossem devidas naturalmente. Estes mandriões auto-habilitados são geralmente bastante narcisistas. Fazem um brevíssimo esboço para um romance ou para uma peça que querem escrever ou têm uma «ideia» para um negócio brilhante e sentem que é o suficiente para atrair louvores e atenção. Mas, bem lá no fundo, estes mandriões sentem-se inseguros relativamente à sua capacidade de obter o que desejam; foi por isso que nunca desenvolveram realmente a disciplina devida. Quando deparam com pessoas que realizam grandes feitos, que trabalham arduamente e que ganharam verdadeiro respeito pelo seu trabalho, isto torná-los-á conscientes das dúvidas sobre si mesmos que tentaram recalcar. Passam muito rapidamente da inveja à hostilidade.

Christopher Wren foi um dos grandes génios do seu tempo, um cientista de renome e um dos principais arquitetos da época em que viveu, tendo a sua obra mais famosa sido a catedral de São Paulo, em Londres. Wren também era de modo geral amado por todos os que trabalhavam com ele. O seu entusiasmo, o seu talento óbvio e as muitas horas dedicadas ao trabalho tornaram-no popular tanto junto do público como de quem trabalhava nos seus projetos. No entanto, um homem veio a invejá-lo profundamente — William Talman, um arquiteto de nível inferior, nomeado para assistente de Wren em vários trabalhos importantes. Talman acreditava que os seus papéis deviam estar invertidos; tinha uma opinião extremamente elevada de si mesmo, uma atitude bastante amarga e uma tendência pronunciada para a preguiça.

Quando vários acidentes ocorreram em dois projetos de Wren, matando alguns trabalhadores, Talman entrou em esgotamento, acusando o chefe de ser negligente. Vasculhou todas as possíveis más ações na longa carreira de Wren, tentando provar que este não merecia a sua excelente reputação. Durante anos, fez campanha para sujar a fama de Wren, acusando-o de negligência em relação às vidas humanas e às despesas e dizendo que o seu valor era sobrestimado. Turvou as águas de tal maneira que o rei finalmente concedeu algumas comissões importantes a Talman, muito menos dotado, enfurecendo Wren.

Talman passou a roubar e a incluir muitas das inovações de Wren. A feia batalha travada com Talman teve um efeito emocional debilitante em Wren, que durou anos.

Tenha muito cuidado em contexto profissional com as pessoas que gostam de manter a sua posição através da sedução e de manobras políticas, em vez de mostrarem trabalho. São extremamente atreitas a invejar e odiar aqueles que se esforçam e conseguem resultados. Irão caluniá-lo e sabotá-lo sem qualquer pré-aviso.

O Fanático do Estatuto: Enquanto animais sociais, os seres humanos são multo sensíveis à hierarquia e à posição dentro de um grupo. Podemos avaliar o nosso estatuto pela atenção e pelo respeito que recebemos. Estamos permanentemente a vigiar as diferenças e a comparar-nos com os outros. Mas, para algumas pessoas o estatuto é mais do que uma forma de medir a posição social é o indicador mais importante do seu valor. Irá identificar estes fanáticos pelas perguntas que fazem sobre quanto dinheiro ganha, se é proprietário da sua casa, em que tipo de bairro esta se encontra, se de vez em quando voa em classe executiva e todas as outras coisas mesquinhas que podem usar como termos de comparação. Se tiver um estatuto social superior ao deles, irão esconder a sua inveja parecendo admirar o seu sucesso. No entanto, se estiver ao seu nível ou eventualmente trabalhar com eles, irão farejar qualquer sinal de favoritismo ou privilégios que não possuem e atacá-lo de uma forma dissimulada, minando a sua posição dentro do grupo.

Deverá reconhecer os fanáticos do estatuto pelo modo como reduzem tudo a considerações materiais. Quando comentam a roupa que usa ou o carro que guia, parecem concentrar-se no dinheiro que estas coisas devem ter custado e, enquanto falam sobre elas, irá notar algo de infantil no seu comportamento, como se estivessem a reviver um drama familiar em que se sentiram enganados por um irmão que recebeu algo melhor. Não se deixe enganar pelo facto de conduzirem um carro mais velho ou por se vestirem de forma andrajosa. Estes indivíduos muitas vezes tentarão afirmar o seu estatuto no sentido contrário, tornando-se o monge consumado ou o hippie idealista, enquanto secretamente anseiam pelos luxos que não conseguem obter através do trabalho árduo. Se estiver perto destas pessoas, tente minimizar ou esconder o que possui que possa desencadear inveja, e refira sempre que possível os bens do seu interlocutor, as suas capacidades e o seu estatuto.

O Penetra: Em qualquer ambiente de poder em que se movam influências encontrará inevitavelmente pessoas que são atraídas por aquelas que são bem-sucedidas ou poderosas, não por admiração, mas por inveja secreta. Arranjam maneira de se imiscuir na qualidade de amigos ou de assistentes. Tornam-se úteis.

Podem admirar o seu chefe por algumas qualidades, mas lá bem no fundo acreditam que merecem ter alguma da atenção que ele ou ela estão a receber, sem todo o trabalho árduo. Quanto mais próximas se encontram de quem realiza grandes feitos, mais este sentimento se apodera delas. Têm talento, têm sonhos porque deverá a pessoa para quem trabalham ser tão favorecida? Mas estes tipos imiscuem-se porque sentem uma espécie de satisfação ao prejudicar e magoar a pessoa que possui mais do que elas. São atraídos pelos poderosos devido a um desejo de os prejudicar de alguma forma.

Estes indivíduos têm um traço que é bastante comum em todos os invejosos: não têm objetivos na vida. Não sabem qual é a sua vocação; podiam fazer muitas coisas, pensam, e experimentam com frequência diferentes empregos. Vagueiam e sentem-se vazios por dentro. Invejam naturalmente as pessoas que agem com um objetivo e vão ao ponto de se imiscuir na vida de outrem, desejando em parte obter um pouco daquilo que elas próprias carecem e ansiando em parte prejudicar a outra pessoa.

De modo geral, tenha cuidado com as pessoas que parecem demasiado ansiosas por entrar na sua vida, demasiado impacientes por se tornarem úteis. Tentam atraí-lo para um relacionamento não pela sua experiência e competência, mas pela adulação e atenção que lhe concedem. A sua forma de ataque consiste em reunir informação sobre a sua pessoa que possam ventilar ou espalhar sob a forma de mexericos, prejudicando a sua reputação. Aprenda a contratar e a trabalhar com as pessoas que têm experiência, em vez de apenas modos agradáveis. 

O Chefe Inseguro: Para algumas pessoas, chegar a uma posição elevada representa o reconhecimento da autoestima e um estímulo do seu amor-próprio. Mas há algumas pessoas que são mais ansiosas. Ocupar um cargo de responsabilidade tende a aumentar as suas inseguranças, as quais têm o cuidado de esconder. Duvidam secretamente de serem dignas da responsabilidade. Olham com inveja para outros que possam ser mais dotados, mesmo em cargos inferiores .

Irá trabalhar para este tipo de chefe presumindo de que se trata de alguém autoconfiante e seguro de si. De que outra forma se poderia ter tornado chefe? Trabalhará com mais afinco para os impressionar, para lhes mostrar que é um funcionário em ascensão, apenas para dar consigo, passados alguns meses, subitamente despromovido ou despedido, o que faz pouco sentido, visto que teve claramente bons resultados. Não se apercebeu de que estava a lidar com o tipo inseguro e que, inadvertidamente, desencadeou dúvidas acerca do seu mérito. Secretamente, estas pessoas invejam a sua juventude, a sua energia, as expectativas e os sinais do seu talento. Pior ainda se tiver jeito para as relações sociais e eles não. Irão justificar um despedimento ou uma despromoção com uma narrativa que arquitetaram; nunca irá descobrir a verdade.

Preste atenção aos seus superiores procurando sinais de insegurança e inveja. Irão inevitavelmente ter um historial de despedimento de pessoas por motivos estranhos. Não parecerão especialmente felizes com o relatório excelente que lhes entregou. Jogue sempre pelo seguro cedendo aos chefes, revelando-os sob uma luz mais favorável ou ganhando a sua confiança. Formule as suas ideias brilhantes como sendo deles. Deixe-os receber todo o crédito pelo seu trabalho esforçado. Um dia virá o seu tempo de brilhar, mas não se estimular inadvertidamente as suas inseguranças.

Ativadores de inveja

Embora certos tipos tendam mais para a inveja, também deve estar consciente de que existem circunstâncias que tenderão a desencadear inveja em quase toda a gente. Deverá estar ainda mais atento nestas situações.

O ativador mais comum é uma mudança súbita no seu estatuto, o que altera a relação com amigos e colegas. Isto verifica-se especialmente entre pessoas da sua profissão. E é algo há muito conhecido.

Os artistas do Renascimento que conseguiam encomendas inesperadas tornavam-se alvo de rivais invejosos, que se podiam tornar muito perversos. Miguel Ângelo invejava claramente Rafael, mais jovem e dotado, e fez o que a pôde para manchar a sua reputação e impedir a atribuição de obras ao artista. Os escritores são extremamente invejosos dos outros escritores, em especial dos que conseguem contratos mais lucrativos.

O melhor que pode fazer nestas situações é ter algum sentido de humor auto depreciativo e não esfregar o seu sucesso na cara dos outros, que, afinal, poderá incluir alguma componente de sorte. Na verdade, quando discutir o seu sucesso com outros que o possam invejar, destaque ou exagere sempre o elemento sorte. Quanto aos que lhe são mais próximos, ofereça-se para os ajudar o melhor possível nas suas batalhas sem parecer condescendente. Neste contexto, nunca cometa o erro de elogiar um escritor ou um artista na presença de outro, a menos que a pessoa que está a elogiar esteja morta. Se detetar sinais de uma inveja mais ativa em colegas, afaste-se o mais possível deles.

Não se esqueça de que as pessoas que estão a envelhecer, com as carreiras a caminho do declínio, têm egos delicados e são bastante propensas a sentir inveja.

Por vezes são os dons e talentos naturais das pessoas a estimular as formas mais intensas de inveja. Podemos tentar ser muito bons num campo, mas não reconstruir a nossa fisiologia. Algumas pessoas nascem mais bonitas, mais atléticas e com uma imaginação invulgarmente intensa ou uma natureza aberta e generosa. Se as pessoas com dons naturais também possuírem uma boa ética profissional e tiverem alguma sorte na vida, a inveja irá persegui-las para onde quer que vão. Muitas vezes piorando as coisas para estas pessoas, também tendem a ser bastante ingénuas. Elas próprias não sentem inveja dos outros, por isso não conseguem compreender bem essa emoção. Inconscientes dos perigos, exibem naturalmente os seus dons e atraem ainda mais inveja. Pior ainda é o facto de os tipos invejosos detestarem secretamente aqueles que são imunes ao sentimento da inveja. Torna-lhes a sua natureza invejosa duplamente visível e estimula o desejo de prejudicar e magoar.

Se possui dons naturais que o erguem acima dos outros, deve estar consciente dos perigos a evitar ao exibir esses talentos. Em vez disso, deve revelar estrategicamente alguns defeitos para atenuar a inveja das pessoas e disfarçar a sua superioridade natural. Se tiver jeito para ciências, deixe claro, perante os outros, quanto desejaria ter mais competências sociais. Mostre a sua inépcia intelectual em temas que escapam à sua área de especialidade.

John F. Kennedy quase parecia demasiado perfeito para o público norte-americano. Muito bem-parecido, inteligente e carismático e com uma mulher extremamente bela — era difícil alguém identificar-se com ele ou gostar dele. Quando cometeu o grave erro da invasão falhada de Cuba (conhecida como Baía dos Porcos), no início da sua Administração, e assumiu toda a responsabilidade pelo fiasco, os números das sondagens dispararam. O erro humanizara-o. Embora a situação anterior não tenha sido intencionalmente preparada, pode ter um efeito semelhante discutindo os erros que cometeu no passado e pondo a nu uma dificuldade específica em áreas que não minimizem a sua reputação geral.

Mulheres que alcançam o sucesso e a fama são mais propensas a atrair inveja e hostilidade, embora isto seja sempre disfarçado como algo diferente — diz-se que estas mulheres são demasiado frias ou ambiciosas ou pouco femininas. Muitas vezes escolhemos admirar pessoas que fizeram grandes coisas, sendo a admiração o contrário da inveja. Não nos sentimos desafiados pessoalmente ou inseguros perante a sua excelência. Podemos igualmente emulá-las, usá-las como estímulo de modo a tentar alcançar mais. Mas, infelizmente, é raro acontecer com mulheres de sucesso. Uma mulher bem-sucedida suscita mais sentimentos de inferioridade tanto noutras mulheres como em homens («Sou inferior a uma mulher?»), o que leva a inveja e hostilidade, não a admiração. Coco Chanel, a mulher de negócios mais bem-sucedida do seu tempo, especialmente tendo em conta as suas origens enquanto foi vítima desta inveja ao longo de toda a vida.

As mulheres de sucesso terão de carregar este fardo até ao dia em que os valores subjacentes e enraizados mudem. Entretanto, terão de ser ainda mais capazes de defletir a inveja e de investir na humildade.

Se descobrir que é alvo de um ataque de inveja, a sua melhor estratégia consiste em controlar as suas emoções. E muito mais fácil fazê-lo quando se apercebe de que a inveja está na sua origem. O invejoso alimenta-se da sua reação exagerada como forma de o criticar, de justificar as suas ações e de o enredar em mais dramas ainda. Procure a todo o custo manter a compostura. Se possível, afaste-se também a nível físico — despeça-o, corte o contacto, o que for possível. Não pense que é possível recuperar de alguma forma o relacionamento. A generosidade que o leva a tentá-lo não fará mais do que intensificar os seus sentimentos de inferioridade. O invejoso voltará a atacar. Defenda-se por todos os meios de quaisquer ataques públicos ou de mexericos que ele venha a espalhar, mas não acalente sonhos de vingança. O invejoso é infeliz. A melhor estratégia é deixá-lo marinar no seu próprio «veneno frio», de longe, sem lhe permitir de modo algum magoá-lo no futuro. A sua infelicidade crónica é castigo suficiente.

Finalmente, pode pensar que a inveja é algo raro no mundo moderno. Afinal trata-se de uma emoção primitiva, infantil, e vivemos numa era muito sofisticada. Além disso, não há muitas pessoas que discutam ou analisem a inveja como um importante fator social. Mas a verdade é que a inveja é mais predominante agora do que nunca, especialmente devido aos meios de comunicação social.

Através das redes sociais, temos uma janela permanente para as vidas de amigos, pseudoamigos e celebridades. E o que vemos não é apenas uma espreitadela simples sobre o seu mundo, mas uma imagem altamente idealizada do que eles apresentam. Vemos apenas as imagens mais empolgantes das suas férias, os rostos felizes dos seus amigos e filhos, relatos do seu aperfeiçoamento constante, as pessoas fascinantes que conhecem, as grandes causas e projetos em que estão envolvidos, os exemplos de sucesso nas suas iniciativas. Estaremos a divertir-nos tanto como eles? Serão as nossas vidas aparentemente tão realizadas como as deles? Estaremos talvez a perder alguma coisa? De modo geral, acreditamos, e por um bom motivo, que todos temos direito a viver uma boa vida, mas, se os nossos pares parecem ter mais, alguém ou algo deve assumir as culpas por isso.

O que sentimos neste caso é uma impressão generalizada de insatisfação. Uma inveja pouco acentuada instala-se dentro de nós, à espera de ser ativada na variedade mais intensa se algo que lemos ou vemos intensificar as nossas inseguranças. Esta inveja generalizada entre grupos grandes de pessoas pode até tornar-se uma força política, visto que os demagogos a podem instigar contra determinados indivíduos ou grupos de pessoas que têm ou parecem ter a vida mais facilitada do que outros. As pessoas podem unir-se através da sua inveja subjacente, mas, tal como acontece com a variedade pessoal, ninguém irá reconhecê-lo nem isso será visto como tal. A inveja pública pode ser rapidamente voltada contra figuras públicas, em especial sob a forma de schadenfreude, quando conhecem algum infortúnio. Os mexericos sobre os poderosos tornam-se uma verdadeira indústria.

O que isto significa é simples: iremos descobrir cada vez mais pessoas à nossa volta atreitas a sentirem inveja passiva que se pode transformar na forma virulenta, se não tivermos cuidado. Temos de estar preparados para sentir os seus efeitos vindos de amigos, colegas e do público, se estivermos expostos à sua atenção. Num ambiente social tenso como este, aprender a reconhecer os sinais e ser capaz de identificar tipos de invejosos é uma capacidade absolutamente determinante a desenvolver. E, visto que agora todos nós somos ainda mais suscetíveis de sentir inveja, também temos de aprender a lidar com esta emoção dentro de nós, transformando-a em algo positivo e produtivo.

Ultrapassar a inveja

Como a maior parte dos seres humanos, tenderemos a negar que alguma vez senti_ mos inveja, pelo menos com uma intensidade capaz de determinar as nossas Simplesmente não estará a ser sincero consigo mesmo. Como se descreveu, está apenas consciente da indignação ou ressentimento que sente que oculta as pontadas iniciais de inveja. Tem de ultrapassar a resistência natural até Ver a emoção quando esta se agita pela primeira vez dentro de si.

Todos nos comparamos com os outros; todos nos sentimos perturbados por quem nos é superior em alguma área que apreciamos; e todos reagimos ao facto sentindo alguma espécie de inveja. (É algo que faz parte da nossa natureza; os estudos mostraram que os macacos sentem inveja.) Pode começar com uma experiência simples: da próxima vez que ouvir ou ler sobre o sucesso súbito de alguém no seu campo, repare no sentimento inevitável de desejar o mesmo (a pontada) e na hostilidade subsequente, por muito vaga que seja, em relação à pessoa que inveja. Acontece rapidamente, e a transição pode escapar-lhe com facilidade, mas tente captá-la. E natural passar por esta sequência emocional, e não deveria haver culpa associada. Monitorizar-se e observar mais circunstâncias destas irão ajudá-lo no processo lento de ultrapassar a inveja.

No entanto, vamos ser realistas e perceber que é quase impossível libertarmo-nos da compulsão de nos compararmos com os outros. Trata-se de algo demasiado enraizado na nossa natureza como animais sociais. Em vez disso, devemos aspirar a transformar lentamente a nossa tendência para a comparação em algo positivo, produtivo e pró-social. Os cinco exercícios que se seguem destinam-se a ajudá-lo a conseguir fazê-lo.

Aproxime-se mais daquilo que inveja. A inveja floresce com a prosperidade relativa o - num ambiente de empresa, onde as pessoas se veem todos os dias, numa família, num bairro, num grupo de pares. Mas as pessoas tendem a esconder os seus problemas e a apresentar a sua melhor cara. Só vemos e ouvimos os seus triunfos, os seus novos relacionamentos, as suas ideias brilhantes, que as conduzirão a uma mina de ouro. Se nos aproximarmos e víssemos as discussões que decorrem à porta fechada ou o chefe horrível que está associado àquele emprego, teríamos menos motivos para sentir inveja. Nada é tão perfeito como parece, e muitas vezes veríamos que estamos enganados, se olhássemos com a maior das atenções. Passe tempo com essa família que inveja e que gostaria que fosse sua e começará a rever a sua opinião.

Se invejar pessoas com mais fama e atenção, lembre-se de que essa atenção vem acompanhada de grande hostilidade e críticas bastante dolorosas. As pessoas ricas muitas vezes são infelizes. Leia qualquer relato dos últimos dez anos da vida de Aristotle Onassis (1906—1975), um dos homens mais ricos da história, casado com a glamorosa Jacqueline Kennedy, e verá que esta riqueza lhe trouxe intermináveis pesadelos, incluindo os filhos mais mimados e frios.

O processo de aproximação obedece a duas etapas: por um lado, tente olhar realmente para o outro lado das fachadas reluzentes que as pessoas apresentam e, por outro, imagine simplesmente as desvantagens inevitáveis que acompanham a sua posição. Isso não significa diminuí-las. Não está a menosprezar as conquistas de grandes pessoas. Está apenas a atenuar a inveja que pode sentir de coisas das suas vidas pessoais.

Envolva-se em comparações descendentes. Normalmente concentra-se nas pessoas que parecem ter mais do que o leitor, mas seria mais sensato olhar para aqueles que têm menos. Há sempre muita gente a usar nesta comparação. Vivem em meios mais difíceis, lidam com mais ameaças às suas vidas e têm níveis de insegurança mais profundos sobre o futuro. Podemos até olhar para amigos que vivem muito pior do que nós. Isto estimularia não apenas a empatia pelos muitos que têm menos, mas também uma maior gratidão por aquilo que realmente possui. Tal gratidão é o melhor antídoto para a inveja.

Como exercício relacionado, pode escrever todas as coisas positivas da sua vida que tende a tomar como garantidas — as pessoas que foram amáveis para si e úteis, a saúde de que goza atualmente. A gratidão é um músculo que exige exercício, caso contrário atrofia.

Pratique a Mitfreude. Schadenfreude, a experiência de prazer perante a dor dos outros, está claramente relacionada com a inveja, como muitos estudos demonstraram. Quando invejamos alguém, temos tendência para sentir excitação, e até alegria, se essas pessoas conhecerem um impasse ou sofrerem de alguma forma. Mas seria prudente praticar, em vez disso, o contrário, aquilo a que o filósofo Friedrich Nietzsche chamou Mitfreude —- «gozar com». Como escreveu, «A serpente que nos morde pretende magoar e rejubila ao fazê-lo; o animal mais insignificante consegue imaginar a dor de outros. Mas imaginar a alegria de outros e rejubilar com a mesma constituem o maior privilégio do animal superior».

Isto significa que, em vez de felicitar apenas as pessoas pela sua sorte, algo fácil de fazer e que se esquece facilmente, deve tentar sentir ativamente a sua alegria, como forma de empatia. Pode tratar-se de algo pouco natural, visto que a nossa primeira tendência é sentir uma pontada de inveja, mas podemos treinar-nos para imaginar como será, para os outros, experimentar essa alegria ou satisfação. Isto não só lhe limpa o cérebro de uma inveja negativa, como também cria uma forma invulgar de relacionamento. Se formos os alvos da Mitfreude, sentiremos o entusiasmo genuíno da outra pessoa com a nossa sorte, em vez de ouvir apenas palavras, e isso leva-nos a sentir o mesmo por eles. Por ser tao raro, contém uma grande capacidade de unir as pessoas. E, ao interiorizarmos a alegria das pessoas, aumentamos a nossa capacidade de sentir esta emoção em relação às nossas próprias experiências.

Transforme a inveja em emulação. Não conseguimos interromper o mecanismo de comparação nos nossos cérebros, por isso é preferível redirecioná-lo para algo produtivo e criativo. Em vez de desejar magoar ou roubar a pessoa que alcançou mais, deveríamos desejar erguer-nos ao seu nível. Desta forma, a inveja torna-se um estímulo para a excelência. Podemos até tentar estar com pessoas que estimulem esses desejos competitivos, pessoas que estejam ligeiramente acima de nós ao nível das competências.

Fazer que esta estratégia resulte exige algumas mudanças psicológicas. Em primeiro lugar, devemos acreditar que temos a capacidade de nos elevar. A confiança nas nossas capacidades gerais de aprender e melhorar constituirão um imenso antídoto para a inveja. Em vez de desejar ter o que outro tem e de recorrer à sabotagem por impotência, sentimos a necessidade de obter o mesmo e acreditamos que temos a capacidade de o fazer. Em segundo lugar, devemos desenvolver uma ética profissional sólida que apoie este processo. Se formos rigorosos e persistentes, seremos capazes de ultrapassar praticamente todos os obstáculos e de elevar a nossa posição. As pessoas que são preguiçosas e indisciplinadas são muito mais propensas a sentir inveja.

Relacionado com este aspeto, ter um objetivo, uma noção da sua missão na vida, é uma forma excelente de se imunizar contra a inveja. Concentrar-se-á na sua própria vida e planos, que são claros e revigorantes. O que lhe dará satisfação será sentir o seu potencial, não ganhar atenção do público, algo que é efémero. Precisará muito menos de comparar, A sua autoestima virá de dentro, não de fora.

Admire a grandeza humana. A admiração é o polo oposto da inveja — dessa forma, reconhecemos as conquistas das pessoas, celebramo-las, sem termos de nos sentir inseguros. Aceitamos a sua superioridade nas artes, nas ciências ou nos negócios, sem que isso nos magoe. Mas vamos mais longe ainda. Ao reconhecer a grandeza de alguém, estamos a festejar o maior potencial da nossa espécie. Estamos a viver a Mitfreude com o melhor da natureza humana. Partilhamos o orgulho que decorre de qualquer grande proeza humana. Essa admiração eleva-se acima da mesquinhez da vida quotidiana e terá um efeito calmante. Embora seja mais fácil admirar sem mácula de inveja aqueles que estão mortos, devemos tentar incluir pelo menos uma pessoa viva no nosso panteão. Se ainda formos novos, esses objetos de admiração também podem servir de modelos a emular, pelo menos até certo ponto.

Finalmente, vale a pena cultivar momentos na vida em que sentimos uma imensa satisfação e felicidade que não estejam casados com o nosso próprio sucesso ou conquistas. Isto acontece habitualmente quando nos encontramos numa paisagem bela - as montanhas, o mar, uma floresta. Não sentimos o olhar indiscreto e comparador dos outros, a necessidade de ter mais atenção ou de nos afirmarmos. Limitamo-nos a sentir assombro perante aquilo que vemos, e isto é extremamente terapêutico. Também pode acontecer quando contemplamos a imensidão do universo, a misteriosa série de circunstâncias que se combinaram para que nascêssemos, os limites vastos do tempo antes de nós e depois de nós. São momentos sublimes e tão afastados da mesquinhez e dos venenos da inveja quanto possível.

Pois não muitos homens poderão amar um amigo cuja fortuna prospera sem o invejar; e pelo cérebro invejoso o frio veneno cola-se e duplica toda a dor que a vida lhe traz. As suas próprias feridas deverá sarar e não sentir a alegria alheia como uma maldição.

—Ésquilo

Mensagens populares deste blogue

O poder da escuta

Leis da Natureza Humana por Robert Greene - Intro

Qual é a pegada de carbono de um e-mail?